quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Trocando o senso comum por dados científicos

Recentemente estive em uma consulta dermatológica e questionei a médica:
-Dra...será que há uma maneira mais eficaz de hidratar o cabelo no dia a dia?
Enquanto aguardava a resposta, cheia de mim, acreditava que a médica responderia o que eu achava saber. Pois, depois de assistir a vários tutoriais de beleza... me sentia a Expert no assunto. Mas, não é assim que as coisas funcionam. Sempre há espaço para o novo. Enquanto vivemos estamos aprendendo.
Ela simplesmente respondeu o contrário do que eu imaginava:
- Primeiro você lava bem o cabelo com o shampoo, depois passa o condicionador e por último o creme hidratante. O último você deixa no cabelo pelo tempo indicado na embalagem. Foi um tapa no meu ego. Eu estava fazendo tudo errado. Eu havia "aprendido" que o condicionador selava as cutículas do cabelo e assim o cabelo ficava protegido e hidratado. Mas, a médica me explicou que o ressecamento é externo, por isso, esse procedimento nutre e hidrata os fios.
Mesmo incrédula vim para casa e no mesmo dia testei. E não é que a ciência falou muito mais alto do que o senso comum! Meu cabelo está mais hidratado e estou amando essa nova experiência de aprendizado. 
Se puderem façam outras hidratações: óleo de coco, se possível, dormir com ele no cabelo e somente no outro dia lavar com shampoo, condicionador e hidratante.
E outras hidratações de sua preferência também serão bem-vindas. Afinal, cada cabelo responde de um jeito diferente ao tratamento. 

A moça da janela


Fabiana era uma moça bela que desejava conquistar um amor para dar um novo sentido para a vida dela. Cansada da sua existência monótona e de não ter com quem conversar tentava da janela do sobrado algo novo contemplar. Pequenas coisas que passavam despercebidas por muitas pessoas mexiam com a moça. Até o sobrevoar de um avião lhe causava emoção. Mas, ainda não era o que desejava sentir para se animar. Com os olhos cheios de lágrimas debruçada na janela do sobrado olhava os pares indo e vindo. Comparava aquele vai e vem dos casais ao que acontece com o sol em um dia de inverno. A si mesma perguntava se em algum dia teria um namorado. Todos os dias o mesmo rapaz passava olhando para cima. Ao mesmo tempo em que se encantava se continha.
Ele a conhecia, mas a olhava de maneira acanhada. Havia um mistério naquela moça envergonhada. Tanto ela como ele tinham medo de o primeiro passo dar para talvez um dia se relacionar. Mais uma vez a bela olhava ao longe, no horizonte, o sol se pondo e dessa maneira contemplava outra vez o dia desaparecer sem ter novidade para viver. Buscava no céu uma resposta como se em algum momento alguém a pudesse arrebatar e assim uma nova realidade vir a experimentar.  Para si mesma teimava murmurar.
− Quem sabe se algo desconhecido pudesse retirar a implosão que se expande dentro do meu coração!
 Da angústia não conseguia se desfazer, pois não sabia como podia de alguma maneira aquele dilema resolver. Um grito silencioso ecoava dentro de seu peito. E sem querer, dentro de si, abrigava o seu próprio calabouço. E mais uma vez pensava:
− Será que não tenho o dom para amar? O meu destino será viver atrelada a solidão que aprisiona e desacelera o meu coração?
Ao mesmo tempo que o medo do desconhecido a imobilizava algo lhe dizia que não podia enxergar o que não foi atrás para desvendar. Por vezes fraquejou. Mas um dia um impulso a levantou.
− Sou senhora da minha ação, por que ficaria paralisada então? A solução está em mim, por que transferiria a responsabilidade que é minha? Preciso agir para um dia sorrir quando o amor chegar para mim. Não posso permitir que meu pensamento seja o ator principal. Já sei distinguir o bem e o mal.
Fabiana foi passear pelos corredores do shopping afim de observar. Precisava se questionar, para talvez uma resposta encontrar. Olhou, olhou e buscou com os olhos entender o que ainda não conhecia, porque sempre viveu no mundo da melancolia.
Sentou-se à mesa, ao lado de um casal, e colocou-se a espionar.
− O que fez aquele rapaz escolher aquela moça para namorar?
− Ela come com a boca aberta. Não tem classe, mas parece que é esperta. Afinal, encontrou alguém para amar enquanto eu fico só a observar. Pelo jeito a aparência não é tudo em uma relação. Pelo jeito o que importa é encontrar alguém que com afinidade lhe proporcione emoção. Que faça parte dos seus dias e que lhe traga satisfação para continuar com alegria. Pelo jeito o amor é algo que precisa ser experimentado e para acontecer tem que ser alimentado. Vou ficar de bem comigo e assim conquistarei mais do que um amigo. Os preconceitos que me acompanharam, as desconfianças que depositei nos outros, os atalhos que nunca soube dar, os segredos contidos e os medos que sempre me serviram de amigos para nada valeu. Despojarei e seguirei. Com as mãos na cabeça olhando para a mesa disse:
− Como pude viver anos presa a sentimentos que me impediram de usar a razão para me libertar de tudo que sempre maltratou o meu coração? Assim como observei e juguei os outros, alguém, também deve ter agido da mesma maneira comigo. Ao olhar para a janela do meu sobrado talvez muitos diziam:
 −Olha aquela menina. Parece que já a vi em contos de fadas. Ela vive como a Rapunzel. Daquela janela vive a contemplar o céu. Que dó. Ela poderia conhecer a vida, ter amigos, sair daquele mundo oculto e com um belo sorriso cultivar novas amizades andando pelas ruas da cidade.
Pensando bem. Talvez é assim que sou vista, mas novos passos darei e em breve do outro lado estarei. A janela já ficou pequena para mim. Ampliarei os meus horizontes e em breve estarei bem distante.  
Eu sabia!  Havia algo estranho comigo, por isso nunca nem consegui fazer amigos.  Uma coisa farei e em breve acompanhada estarei. Preciso me arrumar não por fora, mas por dentro. O primeiro passo é me permitir conhecer o outro, para atitudes precipitadas não ter.
Fabiana parecia ser outra. Com o cabelo para cima em um rabo de cavalo que era jogado para lá e para cá pelo vento, andava, não com a cabeça abaixada, mas de cabeça erguida. Sorrindo parecia flutuar ao andar pelas calçadas antes pouco conhecidas. Cumprimentava o dono da padaria, a vizinha, o porteiro e até mesmo o borracheiro. Com respeito e educação queria curtir a vida por ter se libertado da prisão. Ela percebeu como era simples chamar a atenção sem causar má impressão. Não demorou e muitos amigos chegaram. A janela não a tinha mais para si. Fabiana agora pertencia ao diálogo, ao conhecimento, a novas oportunidades e a tardes regradas com boas risadas. Ela não precisava de um milagre. Tudo que precisava estava dentro de si bastou parar para ouvir.  A tristeza que cultivou por tantos anos sumiu e de repente sem planejar o amor tão esperado surgiu. Fabiana aprendeu que a vida precisava ser explorada e não apenas observada. Não é possível conhecer alguém especial apenas pela suposição. É preciso deixar os preconceitos para se entregar de coração.